A República Checa está preparada
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Mirek Topolánek, Primeiro-Ministro da República Checa - novo Presidente do Conselho Europeu © Gabinete do Governo da República Checa
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A Presidência Checa do Conselho da UE tenciona promover activamente as suas três principais prioridades – a Economia, a Energia e a Europa no mundo – e liderar o debate sobre a Europa, nas palavras do Primeiro‑Ministro Mirek Topolánek numa entrevista para o nosso sítio Internet.
Senhor Primeiro‑Ministro, em que medida está a República Checa preparada para assumir a responsabilidade inerente à sua primeira Presidência do Conselho da União Europeia?
Posso afirmar sinceramente que a República Checa está preparada para presidir ao Conselho da União Europeia e, para além de promover as prioridades europeias, que são também prioridades checas, liderar o debate sobre os problemas da actualidade.Após longas décadas, o meu país tem a oportunidade de participar na elaboração de políticas europeias e mundiais.
O lema que traduz a filosofia da Presidência Checa é "Uma Europa sem barreiras".No seu entender, quais são as barreiras que podem ser suprimidas entre os "vinte e sete" e a nível das relações com países terceiros?
Queremos promover plenamente as quatro liberdades fundamentais da União: livre de circulação de mercadorias, de capitais, de trabalhadores e de serviços.Temos de reduzir os encargos burocráticos suportados pelas empresas e procurar fazer avançar os debates difíceis sobre a liberalização do comércio internacional no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A República Checa fixou como principais prioridades da sua presidência os três "E", ou seja, a Economia, a Energia e a Europa no mundo.Em termos de valor acrescentado, como pode a Presidência Checa contribuir para resolver a crise financeira e o abrandamento económico?
Considero que deve ser dada prioridade à capacidade de moderar o debate europeu e de encontrar compromissos entre as posições dos Estados‑Membros.O nosso contributo pode ser a nossa experiência da crise financeira que se viveu na República Checa em 1997/1998.Neste momento, dispomos de um regulador único e poderoso dos mercados financeiros.Em vez de pretender alterar a arquitectura financeira global da UE, recomendaremos que cada Estado‑Membro tome medidas no seu próprio território.Com efeito, alguns Estados‑Membros têm até sete reguladores diferentes para os serviços financeiros.A crise financeira veio demonstrar que um único regulador nacional é consideravelmente mais eficaz.Outro valor acrescentado potencial reside na nossa disponibilidade para debater as novas directivas da União relativas à adequação dos fundos próprios e às disposições Solvência II no sector dos seguros.As recomendações do Banco Mundial acabam de ser postas à prova na República Checa.Partilhamos a opinião da Comissão Europeia de que a crise financeira não pode ser resolvida suprimindo as regras de concorrência económica.
As regras devem aplicar‑se não só nos tempos fastos, como – e talvez mais ainda – nos tempos adversos.A República Checa pretende que as medidas extraordinárias para combater a crise na UE tenham carácter temporário e não permanente e sejam sujeitas a todas as regras já estabelecidas ou que ainda serão estabelecidas pela União.
Tendo em conta que a República Checa ainda não adoptou o euro, a participação nas actividades do Eurogrupo não constituirá um obstáculo para a Presidência?
Não vejo qualquer problema nisso.Decidi juntamente com Nicolas Sarkozy e Jean‑Claude Juncker que, durante a Presidência Checa, participaremos como membros normais nas reuniões do Eurogrupo.A República Checa já participou na cimeira do G20 em Washington, em Novembro de 2008, e representará a UE na reunião do G20 em Londres, em Abril de 2009, o que prova que não há qualquer obstáculo e que somos encarados como um participante de pleno direito nos debates económicos.Mesmo os grandes Estados‑Membros da UE reconhecem que a unidade do sistema seria minada se a Presidência de um pequeno ou de um novo Estado‑Membro fosse por qualquer motivo posta em causa.Com excepção de alguns meios de comunicação social, não se ouve nenhuma voz significativa que ponha em dúvida a Presidência Checa.
No âmbito da sua segunda prioridade, a Energia, a República Checa põe a tónica no reforço da segurança energética através da diversificação das fontes.Quais são as suas propostas?
Em primeiro lugar, uma análise da oferta e da procura de energia na UE.Em segundo lugar, uma cooperação mais intensiva a nível da UE no sector da energia, incluindo melhores interligações de redes.Em terceiro lugar, a cooperação com países terceiros e a diversificação das fontes de energia, incluindo debates sobre a energia nuclear.
Identifica como elementos fundamentais da terceira prioridade da Presidência Checa, ou seja, a Europa no mundo, a continuação do processo de integração dos países dos Balcãs Ocidentais na UE, o reforço da cooperação transatlântica e o desenvolvimento de uma parceria oriental.Quais são as iniciativas que a Presidência Checa irá apresentar?
Os Balcãs Ocidentaisconstituem uma prioridade absoluta da Presidência Checa no domínio das relações externas.Tencionamos contribuir para desbloquear o problema da fronteira marítima entre a Eslovénia e a Croácia e esperamos abrir alguns dos capítulos bloqueados nos debates sobre a adesão da Croácia à UE.Participaremos nos debates sobre a conclusão do mandato do Representante Especial da União Europeia na Bósnia‑Herzegovina.Teremos certamente de enfrentar a situação no Kosovo e a questão da projecção da Missão EULEX.Esperamos fazer progressos nas negociações com a Sérvia.Em 15 de Dezembro de 2008, o Montenegro apresentou a sua candidatura à adesão à UE.Durante a Presidência Checa, deverá ser vencida uma certa falta de entusiasmo pelo alargamento da UE na região.A Croácia deverá inspirar a Sérvia.Toda a região deverá integrar‑se progressivamente nas estruturas europeias e euro‑atlânticas.Deste modo serão criadas esperanças de que esta região sensível da Europa se torne mais pacífica e de que as fricções que historicamente se transformaram em conflitos sangrentos possam ser eliminadas.
No tocante às relações transatlânticas, a maior parte dos novos Estados‑Membros da UE considera que constituem a garantia absoluta da sua segurança e prosperidade e a República Checa não é excepção.Queremos participar na visita de Barack Obama à Europa.Estamos a discutir a possibilidade de, no seguimento da reunião do G20 em Londres e da cimeira da NATO em Estrasburgo e Kehl, haver uma reunião dos 27 com o novo Presidente americano em Praga.No final da Presidência Checa, está prevista uma cimeira transatlântica em Washington, de 18 a 22 de Junho de 2009.É igualmente necessário preparar, juntamente com os EUA, a agenda da cimeira de Copenhaga sobre o clima de Dezembro de 2009.Propomo‑nos analisar a questão da complementaridade entre as capacidades militares da UE e as dos EUA.O Afeganistão será certamente um tema a debater.
Esperamos organizar uma cimeira dedicada à Parceria Oriental em 7 de Maio de 2009.Angela Merkel, Nicolas Sarkozy e Gordon Brown já prometeram estar presentes, pelo que a reunião terá grande importância e, a seguir ao desenvolvimento da dimensão meridional das relações externas da UE lançaremos a dimensão oriental.A dimensão oriental da política da UE não é menos importante do que a meridional, opinião aliás partilhada pelo Presidente francês.
A administração checa está bem preparada para a Presidência do Conselho da UE e para qualquer crise inesperada na Europa e no mundo?
O Governo começou a preparação já em 2006.Mais de 1 500 pessoas trabalharão para a Presidência.O número do pessoal da representação permanente em Bruxelas duplicou e chegou aos 220 colaboradores.
O conflito na Geórgia e a crise financeira vieram alterar a agenda programada da Presidência Francesa.Temos consciência de que também nós poderemos ser confrontados com acontecimentos inesperados.Nesse caso, para além das capacidades organizativas e de moderação, a Presidência Checa terá de dar provas de flexibilidade e capacidade de reacção rápida.Os Checos são conhecidos por isso mesmo.