Os objectivos e prioridades da União Europeia no Burundi
visam a consolidação do processo de reconciliação
nacional e ao retorno a uma vida democrática normal, nomeadamente,
através da restauração do Estado de Direito,
bem como favorecer o saneamento económico e social do país.
Na sequência da nomeação, pelo Presidente
da República do Burundi, do Sr. Nduwayo para o cargo de
Primeiro Ministro e da formação de um novo governo,
a União Europeia deseja a todos os seus membros um êxito
total na sua missão.
No entanto, a União Europeia continua preocupada com a
evolução da situação política
e a degradação das condições de segurança
neste país; esta preocupação levoua
a enviar uma missão a Bujumbura em 10 e 11 de Fevereiro
último.
Determinada em apoiar com vigor a «Convenção
de Governo» concluída em 10.09.94, cujas disposições
constituem o quadro institucional da necessária reconciliação
nacional, a União Europeia apela a todas as formações
políticas, às forças militares e a todos
os componentes da sociedade civil para que respeitem esta Convenção
e a apliquem num espírito de diálogo, de moderação
e de compromisso.
Apoiando a acção levada a cabo no Burundi pela comunidade
internacional e, nomeadamente, pela Organização
das Nações Unidas e pela Organização
de Unidade Africana, a União Europeia está decidida
a intensificar os esforços já iniciados a fim de
contribuir para o reforço da estabilidade neste país.
Para o efeito, a União Europeia está disposta a:
- ajudar o Governo do Burundi a organizar um «debate
nacional» tal como se encontra previsto na «Convenção
de Governo», com a participação de todos os
componentes desta nação, a fim de consolidar a reconciliação
nacional e de reconstruir a democracia,
- participar no reforço da acção do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos
do Homem que já se encontra em curso, nomeadamente,
através de apoio ao envio de peritos, tal como se encontra
previsto na Resolução 1995/90 adoptada em 8 de Março de 1995
pela Comissão das Nações Unidas para os Direitos
do Homem,
- contribuir para a restauração do
Estado de Direito e para o reforço do sistema judicial
do Burundi, facultando o seu apoio, nomeadamente, à formação
de magistrados,
- tendo em conta o papel que poderá desempenhar
uma Comissão Internacional de Inquérito sobre a
tentativa de golpe de estado de 1993 e sobre os massacres que
se seguiram, a União Europeia deseja que a Organização
das Nações Unidas possa tomar rapidamente posição
sobre o pedido que lhe foi dirigido pelas autoridades do Burundi,
- por outro lado, presta homenagem à acção
da OUA, que gostaria de ver alargada, e está disposta a
darlhe o seu apoio.
Convicta de que o saneamento económico e social
do país facilitará o retorno à estabilidade
e a sua consolidação para o futuro, a União
Europeia deseja a organização rápida de uma
mesa redonda dos financiadores, com a participação
das instituições internacionais e de todos os países
amigos do Burundi.
A União Europeia, por outro lado, está
pronta a contribuir para o início e a sequência do
plano de acção adoptado na Conferência Regional
sobre a assistência aos refugiados, repatriados e às
pessoas deslocadas na Região dos Grandes Lagos, realizada
em Bujumbura, em 1517 de Fevereiro último.
A fim de auxiliar o Burundi na sua procura de soluções
pacíficas e democráticas, a União Europeia
encoraja todos os parceiros a tomar todas as medidas que considerarem
necessárias contra os elementos extremistas no Burundi,
a fim de evitar as suas deslocações ao estrangeiro
e impedir que recebam apoios.
Conscientes das estreitas relações
existentes entre os vários problemas humanitários
e políticos desta região e os importantes riscos
de desestabilização que ainda subsistem, a União
Europeia apela para a organização da conferência
sobre a paz, a segurança e a estabilidade solicitada pelo
Conselho de Segurança das Nações Unidas e
reitera com determinação o seu apoio a todas as
forças do Burundi que trabalham para a paz, o diálogo
e a reconciliação nacional.